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As 5 formas de responder à questão: “Quais são os seus pontos fracos?”

Uma das perguntas mais frequentemente colocadas pelos recrutadores em contexto de entrevista é: “Quais são os seus pontos fracos?”. Se para muitos candidatos a pertinência desta questão é um mistério, para outros ela representa uma tentativa nada discreta de identificar os defeitos que não gostariam de admitir, sobretudo num contexto profissional. Por isso, tendem a responder de forma superficial ou a adotar estratégias mais ou menos elaboradas para evitar a questão.

Ora, não se tratando esta pergunta de uma técnica obscura para descobrir segredos inconfessáveis, mas antes de uma forma de inferir competências como a capacidade de auto-análise, a humildade e o foco no próprio processo de desenvolvimento pessoal e profissional, importa pensar a resposta de forma tão estruturada como faria se a pergunta fosse “Quais são os seus pontos fortes?”

Para apoiar o seu processo de auto-descoberta e reflexão, deixamos-lhe algumas dicas:

  • Comece por fazer uma lista dos seus pontos fortes e pontos fracos. Em paralelo, peça a um conjunto de pessoas em quem confie e que sejam capazes de lhe dar feedback com assertividade que façam também uma lista sobre os pontos fortes e fracos que lhe identificam. Tente reunir um grupo diverso (amigos, colegas, conhecidos com quem não tenha grande proximidade…) para ter uma visão panorâmica da forma como é visto e da imagem que transmite a diferentes tipos de pessoas.
  • Analise as duas listas e elabore uma lista final que resuma a forma como se vê e como os outros o veem. Muitos candidatos adotam a estratégia de referir um ponto forte que também pode funcionar como ponto fraco – as duas características mais frequentemente referidas em entrevista são “teimoso”, que também pode significar persistente, e “perfeccionista”, que também pode significar detail oriented. No entanto, deverá ter algum cuidado ao utilizar esta técnica, porque um recrutador experiente poderá interpretar estas respostas como uma estratégia de defesa para não dizer nada de muito revelador (ou negativo) sobre si próprio.
  • Tenha em conta que o recrutador está, antes de mais, a avaliar o seu enquadramento com a função a que se candidata. Por isso, avalie se os pontos fracos que listou podem ter um impacto negativo no desempenho da função. Certa vez, uma candidata a uma posição de recrutadora (cuja função consistiria em fazer entrevistas telefónicas e presenciais diariamente) respondeu a esta questão em entrevista dizendo: “tenho alguma dificuldade em falar com pessoas”. Embora seja de valorizar a honestidade da resposta, tratando-se de uma atividade explicitamente relacionada com a posição a que se candidatava, a auto-análise deveria ter sido feita previamente à entrevista, e tomada como ponto de partida para não se candidatar, uma vez que em entrevista seria necessariamente encarada como um fator de exclusão.
  • Procure sustentar a sua lista com exemplos, porque o entendimento sobre o significado de uma determinada característica pode variar de pessoa para pessoa. Para ter uma noção mais clara das discrepâncias, damos-lhe este exemplo: certa vez uma candidata descreveu-se como “histérica”; o recrutador, surpreendido, resolveu tentar perceber melhor. O que a candidata queria dizer era que tendia a iniciar o dia com boa disposição, ria com facilidade, cantava, etc. Caso o recrutador não tivesse tido a preocupação de aprofundar, poderia ter concluído que a candidata perturbava o ambiente de trabalho, quando na verdade ela contribuía para o bom ambiente dentro da equipa. Ao dar exemplos concretos dos pontos fracos que enunciar, garante que o recrutador não interpreta o que disse de forma errada.
  • Pense nos seus pontos fracos como áreas em desenvolvimento, e elabore estratégias para os superar. Depois, em entrevista, não se esqueça de o referir – por exemplo: “tenho dificuldade em organizar o meu tempo, por isso fiz um curso de gestão de tempo, comecei a fazer to-do lists diárias e utilizo o Outlook para gerir todas as minhas tarefas”. Além de demonstrar auto-consciência, revela ainda orientação para soluções e foco no seu desenvolvimento pessoal.

Este processo, por muito exigente que possa parecer, conduzirá a um nível de auto-conhecimento que lhe permitirá por um lado potenciar o seu desenvolvimento pessoal e por outro lado fazer melhores escolhas profissionais, para que possa “ser feliz, fazer melhor e durante mais tempo”.

Ana Vargas Santos – Consultora The Talent City. asantos@thetalentcity.com